As unhas são anexos cutâneos formados por queratina e produzidos pela matriz ungueal. Além da função protetora e funcional, elas registram alterações locais e sistêmicas: mudanças de cor, espessura, formato e superfície podem refletir desde traumas repetidos até doenças inflamatórias, infecciosas ou tumorais. A avaliação das unhas é parte da consulta dermatológica e frequentemente exige exames complementares.
Alterações mais frequentes
- Onicomicose: infecção fúngica, com espessamento, mudança de cor e descolamento da lâmina.
- Psoríase ungueal: depressões puntiformes (pitting), manchas amareladas em "gota de óleo", onicólise e hiperceratose subungueal; pode preceder ou acompanhar a psoríase cutânea e articular.
- Onicólise: descolamento da unha em relação ao leito, associado a traumas, umidade prolongada, produtos químicos, psoríase ou infecções.
- Paroníquia: inflamação das dobras periungueais, aguda (dor, calor e secreção) ou crônica (relacionada a contato prolongado com água e irritantes).
- Unhas encravadas (onicocriptose): causadas por corte inadequado, calçados apertados ou formato da lâmina, com dor e inflamação.
- Linhas e sulcos: sulcos transversais podem seguir doenças sistêmicas, febre ou traumas da matriz; sulcos longitudinais são comuns com o envelhecimento.
- Melanoníquia: faixa pigmentada longitudinal, que pode ter causas benignas, mas exige avaliação criteriosa.
- Alterações por hábitos: onicofagia, manipulação das cutículas e uso frequente de esmaltes, acetona, unhas de gel ou acrílico podem fragilizar a lâmina.
Sinais de alerta
Algumas apresentações requerem avaliação sem demora:
- Faixa escura em uma única unha, com aumento de largura, bordas irregulares, cores variadas ou extensão do pigmento para a pele ao redor (sinal de Hutchinson).
- Lesão ungueal que sangra, ulcera ou não cicatriza.
- Destruição progressiva de uma única unha sem trauma que explique o quadro.
- Dor persistente localizada em uma unha.
- Alterações súbitas em múltiplas unhas acompanhadas de sintomas sistêmicos.
Essas situações podem indicar tumores ungueais, incluindo o melanoma subungueal, cujo diagnóstico precoce é determinante para o prognóstico.
Como o dermatologista investiga
A avaliação começa pelo exame clínico de todas as unhas, das mãos e dos pés, associado à história de traumas, atividades ocupacionais, hábitos de manicure, doenças prévias e medicamentos em uso. A onicoscopia (dermatoscopia ungueal) amplia a visualização de padrões vasculares e pigmentares. Conforme a suspeita, podem ser indicados exame micológico direto e cultura, avaliação laboratorial e biópsia da unha ou da matriz.
O tratamento varia conforme o diagnóstico: antifúngicos nas micoses, terapias anti-inflamatórias na psoríase ungueal, correção de fatores irritativos nas paroníquias crônicas, procedimentos cirúrgicos em unhas encravadas e condutas específicas em lesões suspeitas. Como o crescimento ungueal é lento, os resultados costumam ser avaliados ao longo de meses.
Cuidados gerais
- Cortar as unhas retas, evitando cantos muito aprofundados.
- Evitar remoção agressiva da cutícula, que é barreira protetora natural.
- Reduzir o contato prolongado com água, detergentes e solventes; usar luvas quando necessário.
- Garantir esterilização adequada dos materiais de manicure e pedicure.
- Dar intervalos entre aplicações prolongadas de esmaltes e unhas artificiais.
- Usar calçados adequados, sobretudo em atividades esportivas.
Alterações ungueais persistentes não devem ser tratadas por conta própria nem apenas encobertas com esmalte. A consulta presencial com dermatologista permite identificar a causa, afastar diagnósticos graves e definir a conduta apropriada.
