O herpes simples é uma infecção viral crônica causada pelos vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1) e tipo 2 (HSV-2). Após o primeiro contato, o vírus permanece latente em gânglios nervosos e pode reativar-se em determinadas circunstâncias, produzindo episódios recorrentes na pele e nas mucosas. É uma das infecções virais mais prevalentes no mundo e, embora habitualmente benigna em pessoas imunocompetentes, tem impacto relevante na qualidade de vida pela recorrência e pelo desconforto.
Manifestações clínicas
O quadro clássico caracteriza-se por vesículas agrupadas sobre base avermelhada, que evoluem para erosões e crostas em poucos dias. Muitos pacientes relatam sintomas premonitórios — ardor, formigamento, prurido ou sensibilidade local — algumas horas antes do surgimento das lesões.
- Herpes labial: acomete lábios e região perioral, com predomínio do HSV-1.
- Herpes genital: envolve a região genital e perianal, associado ao HSV-2 e, cada vez mais, também ao HSV-1.
- Primoinfecção: o primeiro episódio pode ser mais intenso, com lesões extensas, dor, febre, mal-estar e aumento de linfonodos, sobretudo em crianças (gengivoestomatite herpética).
- Outras apresentações: acometimento ocular, panarício herpético em dedos e erupção variceliforme em pacientes com dermatite atópica, situações que exigem avaliação médica imediata.
O diagnóstico é predominantemente clínico. Em casos atípicos, imunossuprimidos ou quando é necessária confirmação, exames laboratoriais específicos podem ser solicitados pelo médico.
Gatilhos das recorrências
A reativação viral está associada a fatores descritos na literatura, entre eles:
- Exposição solar intensa, especialmente no herpes labial.
- Estresse físico e emocional e privação de sono.
- Febre e infecções concomitantes.
- Alterações hormonais, como o período menstrual.
- Traumas locais e procedimentos na área acometida.
- Imunossupressão por doenças ou medicamentos.
Identificar padrões individuais de recorrência é útil no acompanhamento, pois permite antecipar cuidados em situações de risco, como viagens com forte exposição solar.
Transmissão e prevenção
A transmissão ocorre por contato direto com lesões ativas ou com secreções, sendo possível também na ausência de lesões visíveis, por eliminação viral assintomática. Cuidados que reduzem o risco de transmitir:
- Evitar contato direto com as lesões durante as crises, incluindo beijos e compartilhamento de utensílios e batons no herpes labial.
- Evitar contato íntimo durante episódios de herpes genital e considerar o uso de preservativo, ainda que ele não elimine completamente o risco.
- Não tocar as lesões e higienizar as mãos, evitando levá-las aos olhos.
- Utilizar fotoproteção labial e facial regular em quem tem crises desencadeadas por sol.
Atenção especial é necessária no contato com recém-nascidos, gestantes e pessoas imunossuprimidas, situações em que a infecção pode ser mais grave.
Manejo e acompanhamento
O herpes simples não tem cura definitiva, pois o vírus permanece latente no organismo. Existem, contudo, terapias antivirais bem estabelecidas que podem reduzir a duração e a intensidade dos episódios quando iniciadas precocemente, além de esquemas de supressão avaliados em pacientes com recorrências frequentes. A indicação, o esquema e a duração são definidos exclusivamente pelo médico, considerando a frequência das crises, a localização, o estado imunológico e o histórico do paciente.
Procure avaliação quando as lesões forem extensas, muito dolorosas, frequentes, atingirem a região ocular, ocorrerem durante a gestação, em imunossuprimidos ou quando houver dúvida diagnóstica — outras dermatoses podem simular o quadro. O acompanhamento dermatológico presencial permite confirmar o diagnóstico, planejar o manejo das recorrências e orientar medidas de prevenção da transmissão.
