Outras Doenças Dermatológicas

Micose de unha

Entenda o que é a onicomicose, por que ela é frequente, como o diagnóstico é confirmado e por que o tratamento exige acompanhamento dermatológico.

A micose de unha, denominada tecnicamente onicomicose, está entre as queixas ungueais mais frequentes no consultório dermatológico. Trata-se de uma infecção causada por fungos — mais comumente dermatófitos, mas também leveduras e fungos filamentosos não dermatófitos — que colonizam a lâmina ungueal e o leito subjacente. Por ter evolução lenta e pouco sintomática no início, costuma ser percebida tardiamente, quando a unha já apresenta alterações extensas de cor e espessura.

Como a onicomicose se manifesta

O quadro clínico varia conforme o agente causador e a forma de invasão da unha. Entre os achados mais descritos na literatura estão:

  • Mudança de coloração, com tons amarelados, esbranquiçados, acastanhados ou acinzentados.
  • Espessamento da lâmina ungueal (hiperceratose subungueal), que dificulta o corte da unha.
  • Descolamento da unha em relação ao leito (onicólise), formando um espaço onde restos de queratina se acumulam.
  • Fragilidade, com bordas quebradiças e esfarelamento da lâmina.
  • Acometimento de uma ou várias unhas, com predomínio nos pés, sobretudo no hálux.

Alguns fatores aumentam a probabilidade de infecção, como diabetes, alterações da circulação periférica, imunossupressão, traumas repetidos por calçados apertados, prática esportiva, frequência a ambientes úmidos coletivos e presença de micose entre os dedos (tinea pedis) não tratada.

Por que o diagnóstico não deve ser presumido

Nem toda unha alterada é micose. Psoríase ungueal, líquen plano, traumas crônicos, onicodistrofias, alterações vasculares e até melanoma ungueal podem simular o quadro. Por isso, diretrizes dermatológicas recomendam a confirmação laboratorial antes de iniciar tratamentos prolongados.

A avaliação começa pelo exame clínico e pela dermatoscopia da unha (onicoscopia), que ajuda a identificar padrões sugestivos de infecção fúngica. A confirmação costuma envolver o exame micológico direto e a cultura para fungos, e, em situações selecionadas, o exame histopatológico do fragmento ungueal. Identificar o agente é relevante porque diferentes fungos respondem de maneira distinta às classes terapêuticas disponíveis.

Princípios do tratamento

O tratamento é conduzido pelo médico dermatologista e considera o número de unhas acometidas, a extensão da lesão, o envolvimento da matriz ungueal, a idade, o uso de outros medicamentos e a presença de doenças associadas. De forma geral, as estratégias descritas na literatura incluem:

  • Terapias tópicas: esmaltes e soluções antifúngicas de uso prolongado, indicadas sobretudo em acometimento superficial ou limitado.
  • Terapias sistêmicas: antifúngicos orais, reservados a quadros mais extensos ou com envolvimento da matriz, exigindo avaliação de interações medicamentosas e, em muitos casos, monitorização laboratorial.
  • Medidas complementares: desbaste mecânico ou químico da unha espessada, tratamento simultâneo da micose interdigital e correção de fatores predisponentes.

O tempo de tratamento acompanha o crescimento da unha, que é lento: meses nas mãos e frequentemente mais de um ano nos pés. A melhora é avaliada pelo crescimento de lâmina saudável a partir da base, e não pelo aspecto imediato da porção já danificada.

Prevenção e recidiva

A onicomicose tem taxas relevantes de recorrência, o que torna as medidas preventivas parte do cuidado. Recomenda-se secar bem os pés e os espaços entre os dedos, alternar calçados, preferir modelos ventilados, evitar andar descalço em vestiários e áreas úmidas coletivas, não compartilhar alicates e materiais de manicure sem esterilização adequada e tratar precocemente descamações entre os dedos.

Pessoas com diabetes ou alterações circulatórias merecem atenção redobrada, pois a onicomicose pode funcionar como porta de entrada para infecções bacterianas secundárias.

Quando procurar o dermatologista

Alterações persistentes de cor, espessura ou formato das unhas devem ser avaliadas presencialmente. O uso de produtos por conta própria pode mascarar o quadro, dificultar o exame micológico e retardar diagnósticos importantes, incluindo lesões tumorais da unha. O acompanhamento médico permite confirmar a causa, planejar a duração do tratamento e monitorar a resposta com segurança.

Conteúdo educativo revisado por Dra. Liz Franzotti Lima (CRM-SP 143.502 · RQE 153.231 — Dermatologia). Não substitui consulta médica.

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O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação individual em consultório.

Dra. Liz Franzotti LimaCRM-SP 143.502 · RQE 153.231