Outras Doenças Dermatológicas

Piolhos

A pediculose é comum na infância e não indica falta de higiene: entenda o ciclo do piolho, como confirmar o diagnóstico e como tratar corretamente.

A pediculose do couro cabeludo é a infestação pelo Pediculus humanus capitis, inseto que vive e se alimenta no couro cabeludo humano. É muito frequente em crianças em idade escolar e não guarda relação com falta de higiene, ao contrário do que sugere o senso comum. O incômodo principal é a coceira, resultado de reação alérgica à saliva do parasita durante a alimentação.

Como reconhecer

O sintoma mais comum é o prurido no couro cabeludo, sobretudo nas regiões da nuca e atrás das orelhas. Podem ocorrer escoriações pelo ato de coçar, irritabilidade, dificuldade para dormir e, em casos prolongados, infecção bacteriana secundária e aumento de linfonodos cervicais.

O diagnóstico de certeza exige a identificação do piolho vivo. As lêndeas (ovos) são estruturas ovaladas firmemente aderidas à haste do fio, o que as diferencia da caspa, que se desprende com facilidade. Lêndeas encontradas a mais de um centímetro do couro cabeludo em geral já estão vazias e podem representar infestação antiga.

Um método bem descrito na literatura é a pesquisa com pente fino em cabelo úmido e com condicionador, passando o pente do couro cabeludo às pontas e examinando o material retido a cada passada, sob boa iluminação.

Transmissão

A transmissão ocorre principalmente por contato direto cabeça com cabeça, comum em brincadeiras, na escola e em casa. A transmissão por objetos — pentes, escovas, gorros, elásticos e travesseiros — é menos frequente, mas possível. O piolho não voa nem salta e sobrevive pouco tempo fora do hospedeiro.

Tratamento e por que ele falha

O tratamento é orientado pelo médico e envolve produtos pediculicidas tópicos e, em situações selecionadas, terapia oral. Independentemente do produto indicado, alguns princípios são consensuais:

  • Aplicação correta: seguir rigorosamente o modo de uso, o tempo de contato e a quantidade orientada, cobrindo todo o couro cabeludo.
  • Repetição do tratamento: em geral é necessária uma segunda aplicação após o intervalo indicado, para eliminar os piolhos que eclodiram das lêndeas depois da primeira.
  • Remoção mecânica das lêndeas: o uso regular do pente fino complementa o tratamento e ajuda no controle.
  • Exame dos contatos: todos os moradores da casa devem ser examinados, e apenas os infestados tratados.
  • Cuidados ambientais: lavar roupas de cama, toalhas e itens de uso recente em água quente; guardar por alguns dias objetos que não podem ser lavados; não compartilhar pentes e acessórios de cabelo.

As causas mais comuns de falha são aplicação inadequada, ausência da segunda aplicação, reinfestação por contatos não tratados e, cada vez mais relatada na literatura internacional, a resistência a determinados pediculicidas — motivo pelo qual a troca da estratégia deve ser feita sob orientação médica.

Substâncias caseiras como querosene, inseticidas veterinários, vinagre em excesso ou produtos não destinados ao uso humano são perigosas, podem causar queimaduras químicas e intoxicação, e não devem ser utilizadas.

Prevenção e convívio escolar

Recomenda-se examinar periodicamente o couro cabeludo das crianças, especialmente após avisos de casos na escola, manter cabelos longos presos em atividades coletivas e evitar o compartilhamento de acessórios. Não há indicação de afastamento escolar prolongado; a orientação é iniciar o tratamento e comunicar a escola para que outras famílias façam a checagem.

Coceira persistente, lesões inflamadas, secreção, febre ou dúvida no diagnóstico merecem avaliação presencial com dermatologista, que confirmará o quadro, afastará outras causas de prurido no couro cabeludo e indicará o esquema terapêutico mais apropriado.

Conteúdo educativo revisado por Dra. Liz Franzotti Lima (CRM-SP 143.502 · RQE 153.231 — Dermatologia). Não substitui consulta médica.

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O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação individual em consultório.

Dra. Liz Franzotti LimaCRM-SP 143.502 · RQE 153.231